Citações

- William Shakespeare
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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

No dia que eu sumir


Ah! No dia que eu sumir...
Será,  que de mim lembrarão?
Será que estranharão...
A ausência de minha silhueta?
Sim! No dia que eu sumir,
Vós ruas tão cotidianas
Sentirão a falta destes pés?
Ou o acento do ônibus...
Perguntará sobre o peso
Deste corpo, tão cansado?
Serei uma ausência lembrada?
Ou o vácuo do que foi um dia vida?
Odiada, querida e já nem importa.
Pois, a funebre dama, agora me conforta.
E vós, pessoas,
Amadas e distraídas,
Sofrendo as leis do tempo.
Tão imortais...
Imorais...
Para mim não tereis tempo,
De um breve pensar?
Ah! No dia que eu sumir...
Haverá luto,
No dia em que eu partir?
Oh! Meus amigos e amados inimigos.
Deixai um funebre bilhete,
No que um dia foi a parede,
Do quarto onde habitei.
   
   
por Francisco Calado

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CIUMES



Estes não me faltam,
Mais que as asas da noite
Que inúmeras e incompletas,
Alçar voo, Posso com estas.

De vergonha não me encho.
Ao contrário, só sofro,
Diferente dos mancos:
Tropeçar, escarnecer.

E encontro motivos mil,
Porém os meus, sempre tão vazios,
Náufragos da querida...
Perdidos, sempre à vagar.

E sofro, morro, choro.
Sem entendimento algum
Em um distante por vir.
Afogo-me em lágrimas.

E se choro... Querida!
Sódio que verti um dia,
Pela praga de outrora...
Hoje deixo aos teus pés.

Meu orgulho, tão ferido...
Meu coração partido...
Minha paz, esquecida...
Meu que é teu, perdi a linha.




by Calado

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Suicídio de um morto


Sirvam-me o veneno,
Chegada é a hora.
Cansado estou de funerais,
Outra vez, outra a mais,
Tantas vezes morri...
E permanece o cadáver,
Anda, come, fala,
Porém a vida, jaz na terra,
Das desventuras sofridas.
Tragam-me a taça.
Depressa!
Não há mais tempo
Para outra morte aparente.
Preciso que caixão
Me ampare deste frio,
Que sol nenhum esquenta.
De uma salvação noturna,
E... quando o sepulcro abrirem...
Verão pouca coisa,
Sobretudo...
Um ser sem coração,
E um cálice de veneno.
E que ao pé da tumba,
Uma mandrágora aflore,
Com os gritos das vidas,
Que em mim,
Pude ver morrendo.

   

by Calado

sábado, 16 de agosto de 2014

Memória borrada

      
Passara o tempo, 

Que frequentemente,  

Meu nome,

De forma ardente,

Em tua boa

Habitou.

         ●●●

Sim! Passara...

Para o presente

Futuro que dispara,

E engatilha,

A cruel munição, 

Bala de esquecimento. 

         ●●●

E agora, que mais nada,

Meu nome...

Lembrança borrada,

O que um dia era água, 

Ou o ar tão precioso, 

Da sarjeta vai ao esgoto.


    
by Calado

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Como as dunas

Desmoronar milimetricamente
Na simbióse schopenhauriana.
A lamentar, como Ariana...
O eu, como, uma duna inconsistente.

Grão à grão, vou eu desaparecer.
Lágrima que cai pela noite...
É da pele o triste açoite,
Que, inexiste, ao amanhecer.

Amo, medo, vivo, morro...
No diário d'amar,
Preso estou!

Perco o ar...
Morro...
Sou...


 
by Calado

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Mal vício


Mal dormia a noite em seu leito obscuro,
Ao passo, que rasgada era a pele sua.
Uniformemente era perfurada...
Roncava, em alegre sonho inocente,
Ignorando o próprio sangue no punhal;
Cravado, na madrugada traiçoeira,
Irmã da sepultura e violência...
Onde morrera, sem saber, seu coração.

 

by Calado

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Por trás das lentes

Estas lentes que já não brilham mais,
Veem tudo! E olhos piscam por trás,
No repúdio eterno ao ser finito.

À gemer em um parto,  que voraz,
Devora o ser que perde a paz...
Na concepção absurda deste filho.

E já arranhadas, não prestam mais?
Como? Pois viu o que a misera vos traz.
Alma tingida - sangue vertido.

Que por excelência... não é vosso!
Vossos, apenas são os destroços,
E a miopia, que à minha vista traz.


 
by Calado

quinta-feira, 27 de março de 2014

À modular

Estive sorrindo!
Porém, vejo-me partindo.
Indo... indo .. indo...
Quebrando, sumindo.

Perco os sentidos,
Não há dias perdidos?
Querer estar contigo...
Minh'alma tem sofrido.

Queria-te sorrindo,
E vindo... vindo...
Encontrar meu sorriso.

Mas choro!
Mas choras.
E nada mais rima.

 

 
by Calado

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Lorde Sombrio

Talvez, tudo eu venha à odiar,
E perca-me, neste tornado: paixão.
Afundando nesta escuridão...
Sinto toda a luz querer me deixar.

Envolvidamente no triste frio,
Que mata, destrói o cardiaco pulsar.
Vejo este vil vírus vasculhar
Tudo que em mim é escuro e vazio.

Debaixo da sombra do tecido,
Recebo a pena, que merecido,
Devo eu hoje, com alma, pagar.

Deleito-me então no castigo,
E nas trevas que vem me seguindo.
Caminho... E não há como voltar.

by Calado

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

LÁPIS E PAPEL


Lá vai tu e me dizes mais um adeus.
Fico eu cá. Em longo eco de um eu te amo.
E.enquanto eu, grito. agonizo e chamo,
Só vejo lágrimas nos braços meus.

Onde por mais que queira eu, me negar
Que a dor do doce sofrer me acompanhe,

E ainda que eu vigie, durma, acorde ou sonhe,
Tua bela silhueta ei de me assombrar.

E eu aqui... No vácuo espaço-tempo vago,
De estrela à estrela e em supernova caio,
Nas tristezas de minha lua no céu.

Lá, Tu deixas vago o que era meu espaço.
Logo após de Ti, sou eu que agora saio.
Resta-me somente lápis... Papel.


    
by Calado

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amizade


Abençoa-me,
Assola-me.

Uma praga,
Uma graça.

Me esquivo,
E repudio.

Circunda-me,
À caçar-me:

Penosíssimo
Magnetismo.

Me afasta
D'amada.

Vejo-te
Perco-te.

Uma praga,
Tão necessária...

É fio de espada!

E agora,
Por hora...

Ânimo partido:
Amigos? Amigos!
  
by Calado

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Polaridade

De norte à sul, prefiro a morte.
Chave para baixo paralisa
Esta tristeza que merecida,
Insiste em matar-me à noite.

Chave à cima... do sul ao norte,
Algum raio de sol me anima.
Chave à baixo, mesmo de dia?
Melancolia doce, Ah! Que sorte...

Vê! Passou hora de belo sol.
Nublado é este meu triste céu;
Não há onde se possa repousar.

E no fio do pendulo... Só cerol.
Nas facas-badaladas, puro fel.
Desvio de teu esmeralda olhar.

by Calado

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Metafísica noturna

No neurônico castelo, vejo...
Fortes garras de outra vontade,
À levarem gênero oposto.
E como que por pura maldade,
Desperto neste penar, desejo.

Nos pavimentos meus, aqui, vejo...
Ruas, homoeletricidade
A conduzir meu medo tolo;
Universal parelidade,
Toque de lábios, febre, desejo.

Epiderme envolvida vejo
Por laços de ossos e músculos,
E paira um pensamento ôco...
O ecoar de eco obscuro,
Volúpia vulcânica, desejo.

Mas no clarear das janelas, vejo,
Metafísica realidade.
Ilusão noturna, algum choro...
Entrar em choque com a verdade:
Funeral triste do desejo.

by Calado

sábado, 14 de setembro de 2013

Vampiresco



Eis que estoura fúria abrasadora.
Que vejam o céus todo o tormento!
Uma pena, sentença: Triste contentamento,
Que não sei onde desejas me levar.
Pouco restou do imperador de outrora.

Roma, Alexandria, Constantinopla!
Homens por esse fel sedentos,
Pela espada, vieram ao tormento!
O sono da morte experimentar.
Sangram estes corações agora.

Vejo-te: Óh! fera devastadora!
Tuas garras cravando-se em meu peito.
Sinto o odor de sangue de meu leito,
Onde tão somente posso lamentar...
Maldição de Fortuna traidora!

Mas se lhe quero por agora,
Sofro, vem-me descontentamento.
E rasga-me, do pescoço ao peito,
Voraz à me devorar...
Leva à morre o que chora,

Nasce um Eu de vontade vingadora.
De olhos de tom vermelho sangrento.
E um eu, que cai nesse doce desalento...
Desejando com asas de cera voar;
Que os anjos vendem os olhos por hora.

Tal vergonha me vem consumidora,
Do abstrato que possa residir por dentro
Desta casa onde não há luz nem tempo,
Onde antes poderia o Eu se refugiar.
Deste holocausto, sofro o expurgo agora,

Corda pendurada em madeira oca...
Balança "piano, poco a poco" - lento.
Somente o pulsar perde seu firme tempo.
Aguarda, que eu caminhe até o altar:
O mal será pago com o sangue que jorra...

Desta escarlate estrada simplória,
Que caminha à um sono do mundo isento.
Que esquecerá dessas dores, destes tempos.
Pois agora, não como me libertar,
Deste futuro que um dia foi outrora.




by Calado

sábado, 24 de agosto de 2013

A busca




Enfim... Busco meu coração.
Ou a razão que deve ocupar o lugar.

Busco uma triste emoção,
Uma maiori sapientiae para me ensinar.

Busco um passado ilusão.
Uma dor para me matar.

Corro atrás de fogo e carvão...
E do frio para me acalentar.

Busco, busco, decepção!
Minha vida é tão somente buscar.




by Calado

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Então jaz



Por que ei de receber brutal supremacia?
Eu, que da ignorância carrego o fado,
De existências míseras e curtas.
Pago em alma opróbrio de alheio pecado,
Regozijado somente em minha agonia.

Acaso, de fortuna lhe veio alegria
Tão mais doce que aos homens ao seu lado?
Por que não vejo tal virtude, ocultas?
Só Pandora, a trazer mal grado;
Braços dados à prole: pânico e agonia.

És Eva, que ao trazer o pecado sorria,
Da má graça a que Adão seria fadado.
Teu saber e conhecimento a mim insulta.
É efêmero, inútil, arco não retesado.
Nesta guerra, só a morte lhe aguardaria!

Conhecimento lhe apraz,  falta-te sabedoria!
Guerreiro pobre, frágil e desalmado,
Do conflito só lhe serve a tortura.
Apenas vejo um bosque que agora árido,
É escuro, frio, inóspito para amor e a alegria.




by Calado


domingo, 4 de agosto de 2013

Inconstância



Chamar-me onda é pouco.
Chama-me mar ou céu...
É apenas risco de pincel.
Multicor, aquarela de tolo.

Chamar-me treva é pouco.
E da luz, infeliz Miguel.
E então deixo eu, os céus
E a terra aos loucos.

Enfim, já não me encontro,
Nem no ultimo cântico,
Que agora entoei.

Existo e me transponho.
Do sofrer ao acalanto,
Onde já não posso viver.



by Calado

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Metanóia




Corta o peito, rasga o céu
Da boca, ferida purulenta.
Provocar dor, tormenta,
Corta o laço, rasga o véu.

Aço que outrora fez-se anel,
Agora sê lamina sangrenta.
Vem à alma e a condena,
A ser amarga como o fel.

Sendo já o que não era.
Abre a carne que lhe cobria,
Nascer de criatura.

Apresenta-se besta, fera.
Lamina, veneno, cólera fria,
Maldade e formosura.







by Calado

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Zumbi



Sem caminho!
Vagando... Vagando...
Sem rumo,
Noite à dentro,
Desapareço, sumo...
Adentro a escuridão,
De olhos que não veem o clarão.

Sem destino!
Insano... Insano...
Assumo,
Que agora já não penso.
Apodreço, durmo...
Em transe, sem exatidão,
Do estado em que meus olhos me verão.

Não sinto,
Parando... Parando...
Escuro,
Não há calor aquecendo,
Nem mesmo frio noturno...
Apenas o vazio, glutão,
Desejo de saciar sedes que jamais cessarão.

Não vivo!
Vagando... Vagando...
Mergulho,
Na natureza que vai me corroendo.
Do "ser ou não ser" este mundo,
Possuindo apenas um grão,
Busca, desejando universos em expansão.









by Calado