Citações

- William Shakespeare
Mostrando postagens com marcador Renovação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Renovação. Mostrar todas as postagens

domingo, 4 de janeiro de 2015

Pó de estrela




Busco-as toda noite,
E as encontro sempre
As mesmas contentes.
Milhares à brilhar,
Brilho que um dia foste.

Ofuscando o torpe,
Com luz estridente.
De tantas frias noites
Insônicamente...
As vejo cintilar.

E no escuro peito,
Brilha meu coração...
Brilha esta fria emoção:
Oh! lua, céu perfeito,
Desejo-os alcançar.

Este, é o dia eleito!
Para minha purgação.
Tão Escuro e tão estreito,
De doce solidão...
Via de poeira estelar.

Retratos passados...
Chegando até mim... até nós;
Desatar nossos nós,
Estou tão cansado...
No escuro à descansar.


  

por Francisco Calado

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Amor de menino



Deixa eu te amar...
Só mais um pouquinho.

Que o tempo é curto,
E sou como menino.

Estou ansioso, feliz,
Quero um doce: carinho!

Quero pular de alegria!
Quero sentar, quero colinho;

Deixa, vai! Só um pouco.
Olhe em meus olhinhos.

Veja o peito que forte bate.
Sinta o meu coraçãozinho.

Veja! Veja! Sou um menino!
Nem pareço perto estar dos trinta.


   
por Francisco Calado

domingo, 9 de novembro de 2014

Queda na falésia do contato




Decrepitamento acometido
Por uma erosão geo-epidérmica,
Que purula vulcanicamente
Por estas tubulações sanguíneas.

Vi, vivo e vestindo a tudo isto,
Mais uma quimera sintética
Que mata e sufoca minha mente,
Que é apenas um número da lista.

E pelos cabos óticos eu vou!
Sem a celulose pálida gentil.
Perco-me em vocais pregas à falar.

E pedra à pedra à me despedaçar...
Outra queda de um propósito anil.
Ignorante fico, sábio vou.



  
por Francisco Calado

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rotatória

 














Aspiro sangramento,
Transbordo, vazio.
Acordo no frio...
Deste triste lamento.

Encho-me, faço novo.
Todo passado,
Mesmo pesado...
Me faço mártir, morro.

Torno à viver
Novo outrora.
Meu eterno retorno.

A minha calda mordo;
Velho agora,
Torno à morrer.




by Calado

sábado, 7 de setembro de 2013

Contemporaneidade



Completude defasada, abismo,
Em meio a preâmbulos ocultos.
Tal como selva, vozes e vultos,
Fantasmas para me assombrar.
Finjo então... Que não existo.

Minha senda, trilhar já não consigo,
Pelo fio da espada de sábios incultos.
Enlouqueço, em meio aos surdos,
Todos apenas sabem falar...
Calar-se - Dom para divinos.

Nem o sapiens intelecto mamífero!
Enlouquece, e não escapa do surto.
Dentro de cercas - Garanhões xucros,
Não há quem possa os domar.
Não vejo "homem", nestes dias vividos.

Então, nesta esfera espacial, impelido,
Pelo mar de ideias e ondas sem rumo,
Ao recife pragas e insultos
Contra a doce sabedoria impar.
Tal como antes: Voltamo-nos ao abismo.




by Calado

domingo, 11 de agosto de 2013

Habitante da janela



De uma janela à outra,
Em uma sala vazia.
Vendo vida viver avarias,
Fita correr o vento.
No chão vermelho,
Triste e sangrento:
Coração exprime-se por porta.

Uma muda de roupa.
Para artificial alegria.
Troca de mascara dia à dia,
Perda de tempo!
Movimento de ponteiro...
Sim, Senhor, Sargento.
Coração servido em torta.

E a fera corre à solta,
Pela rua da'gonia.
Onde a pele arrepia...
De lá, vem o lamento.
E o céu inteiro,
Lhe é bronze e tormento.
Coração mora em revolta.

De uma janela à outra,
Fita a rua dia à dia.
Assim da vida se estia,
O que lhe resta de sereno.
Passam, pessoas, passeios,
Casa, concreto, isolamento.
Peito de janela, não há portas.





by Calado

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Virtude corrompida




Como dói este aguilhão cruel e vil.
Lâmina de raiva, orgulho e ódio. 
Fere mais a quem serviu,
Do que o inimigo e o próximo.

Agora, esqueço a paixão senil,
E da sensatez torno-me próximo.
Pois me sobreveio o opróbrio,
E me trouxe iluminação gentil.

Pois, com orgulho já feri,
E de raiva fui homicida...
Sem nunca me importar.

Mas quando meu sangue verti,
Vi que todo este orgulhar, era...
Coisa imunda: Virtude corrompida.





by Calado 

Para conhecer o contexto do soneto, acesse: http://tragedianoturna.blogspot.com.br/2013/07/nas-highlands-virtude-corrompida.html

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Metanóia




Corta o peito, rasga o céu
Da boca, ferida purulenta.
Provocar dor, tormenta,
Corta o laço, rasga o véu.

Aço que outrora fez-se anel,
Agora sê lamina sangrenta.
Vem à alma e a condena,
A ser amarga como o fel.

Sendo já o que não era.
Abre a carne que lhe cobria,
Nascer de criatura.

Apresenta-se besta, fera.
Lamina, veneno, cólera fria,
Maldade e formosura.







by Calado

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O Tempo



O Tempo é cruel,
O tempo não volta.
Vão se amores, amizades,
Permanece a revolta.
Amigo infiel...
A estrada torta.
Oh! Tempo cruel,
Tempo que não volta.

O Tempo é fiel,
O tempo não solta,
Jamais as rédeas da verdade.
Coisa agora já mortas...
Partida cruel,
Batida de porta.
Oh! Tempo cruel,
Tempo que não volta.

O Tempo do céu,
O tempo não volta.
Faz e desfaz igualdades.
Leva, nem sempre traz de volta.
Amigo fiel...
Está presente a toda hora.
Esse Tempo cruel,
Tempo que não volta.

O Tempo é broquel,
O tempo não volta.
Apesar dos golpes que aguentastes,
Apenas feridas expostas.
Espera o céu,
O qual não vê agora.
Oh! Tempo cruel.
Oh! Tempo, volta!

O Tempo é cruel,
O tempo não volta.
E apesar desta oração entregar-lhe,
Desta canção não escutas se quer  uma nota!
Resta-me sabor de fel,
E campos de gente morta.
Oh! Tempo, és cruel...
Oh! Tu que não voltas.


O Tempo é cruel,
O tempo não volta.
Vão se amores, amizades,
Permanece a memória
Inferno, céu...
E minhas estórias,
Oh! Tempo cruel,
Tempo que não volta.










by Calado

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Ainda sim, digo-te adeus



Ainda sim, digo-te adeus.
Com mágoas de todos estes erros.
Os meus, os teus,
Entre tantas dores e medos.
Apenas uma flor a murchar.

Ainda sim, digo-te adeus.
Como que parte para o ermo.
Deixo-te então como queira Deus,
Vivo e morre neste ciclo de desterros.
Apenas uma flor a murchar.

Caio nesta espira de adeus,
Respiro, vivo, sinto.
Assombrado pelos pecados meus...
Morro, mato, minto.

Caio nesta penúria de adeus,
Te amo, te odeio, ressinto...
Todos os dias ao lado teu,
Que amo, que esqueço, que estão perdidos.










by Calado

domingo, 30 de dezembro de 2012

XXXI



Voei em certas asas impróprias...
De imaginações alheias e turvas.
Visões estás tão obscuras.
Vagas, lindas, sujas e puras,
Que descrever é apenas estória.

Houveram batalhas e glórias.
Quedas em certas curvas.
Do branco, a límpida a alvura.
Do negro, a tão triste amargura.
Coisas não importantes agora.

No entanto, longe do pouso, agora,
Sigo acima dar nuvens de espuma.
Ignorando o Destino e a Fortuna.
Possuindo em minhas mãos arma alguma,
Possuo tordas ao chegar na aurora.

Continuarei, neste mundo afora,
Dentro desta mente que enclausura!
Quem? O coração dentro duma...
Redoma de emoções obscuras,
As quais não consigo jogar fora.

Então, outro voo inicia-se agora!
Em asas mais negras do que nunca.
Esperando o arrepio chegar a nuca,
Trazendo-me alegria e amargura.
Que brotará no novo ciclo da aurora.








by Calado