Citações

- William Shakespeare
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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Amor de menino



Deixa eu te amar...
Só mais um pouquinho.

Que o tempo é curto,
E sou como menino.

Estou ansioso, feliz,
Quero um doce: carinho!

Quero pular de alegria!
Quero sentar, quero colinho;

Deixa, vai! Só um pouco.
Olhe em meus olhinhos.

Veja o peito que forte bate.
Sinta o meu coraçãozinho.

Veja! Veja! Sou um menino!
Nem pareço perto estar dos trinta.


   
por Francisco Calado

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Presente ausente


Memória da memória do que fui,
Sou uma sombra, luz a se dissipar
No vácuo invisível deste sofrer.

O que antes tão presente, agora rui,
Desgraçadissimo, à lamentar
O advento em questão: desaparecer...

E procuro o escape do que já fui.
Desta sombra querida, aqui, a chorar...
Lâminas de sal fazem-me sofrer.

Queria eu, ter de verne o tempo que flui
Para buscar aquela que quero amar.
Agora submerso,  só me esconder.

 
por Francisco Calado

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CIUMES



Estes não me faltam,
Mais que as asas da noite
Que inúmeras e incompletas,
Alçar voo, Posso com estas.

De vergonha não me encho.
Ao contrário, só sofro,
Diferente dos mancos:
Tropeçar, escarnecer.

E encontro motivos mil,
Porém os meus, sempre tão vazios,
Náufragos da querida...
Perdidos, sempre à vagar.

E sofro, morro, choro.
Sem entendimento algum
Em um distante por vir.
Afogo-me em lágrimas.

E se choro... Querida!
Sódio que verti um dia,
Pela praga de outrora...
Hoje deixo aos teus pés.

Meu orgulho, tão ferido...
Meu coração partido...
Minha paz, esquecida...
Meu que é teu, perdi a linha.




by Calado

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Suicídio de um morto


Sirvam-me o veneno,
Chegada é a hora.
Cansado estou de funerais,
Outra vez, outra a mais,
Tantas vezes morri...
E permanece o cadáver,
Anda, come, fala,
Porém a vida, jaz na terra,
Das desventuras sofridas.
Tragam-me a taça.
Depressa!
Não há mais tempo
Para outra morte aparente.
Preciso que caixão
Me ampare deste frio,
Que sol nenhum esquenta.
De uma salvação noturna,
E... quando o sepulcro abrirem...
Verão pouca coisa,
Sobretudo...
Um ser sem coração,
E um cálice de veneno.
E que ao pé da tumba,
Uma mandrágora aflore,
Com os gritos das vidas,
Que em mim,
Pude ver morrendo.

   

by Calado

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Como as dunas

Desmoronar milimetricamente
Na simbióse schopenhauriana.
A lamentar, como Ariana...
O eu, como, uma duna inconsistente.

Grão à grão, vou eu desaparecer.
Lágrima que cai pela noite...
É da pele o triste açoite,
Que, inexiste, ao amanhecer.

Amo, medo, vivo, morro...
No diário d'amar,
Preso estou!

Perco o ar...
Morro...
Sou...


 
by Calado

sexta-feira, 25 de abril de 2014

À dois

  
Nova casa, fiz morada.
Mui linda, até bagunçada.

Pelo que agora és.
Usarei a estes pés.

Para ver a Ti,
E perder a mim.

E mesmo que desajeitado,
Não veja de malgrado.

Dizia: "todos por um!".
À dois... em um.

  

by Calado

sexta-feira, 7 de março de 2014

Em meio aos lençóis

Traz-me a cama a dor noturna,
Em uma quimera de melodrama.
Mate-me a alma, perturba a chama,
Que no peito reside reclusa.

Sofro de Ti perda absurda!
Tão somente vendo da varanda
Do meu ser, que sucumbe ao drama,
Da inexplicável partida tua.

Choro a falta dos ósculos meus,
Enquanto vivo triste dor: adeus;
Ouvindo o coração clamar: "retorna!".

Pode ferir-me pequenino deus!
Pois agora vejo os medos meus...
Perco-te em sonho, acordo, aurora.

by Calado

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Caminho do encontro

As vezes eu fico assim...
Pennsando.
Pensando que as vezes,
Eu fico assim.
Assim pensando,
Eu fico, as vezes.
As vezes eu fico.
As vezes pensando
Pensando... pensando...
Nas vezes que fico,
As vezes eu vou.
Pensando...
Eu vou!
As vezes eu vou,
E pensando eu fico.
E pensando eu vou.
Eu fico...
Eu vou...
E nunca me sai,
do pensamento...
Que nas vezes que vou,
Nela fico... Pensando.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Horas percorridas

Ando distante!
Desejo à cada instante,
Em agonia fatigante,
Espero o chegar.

Mero farsante,
Abandonou o instante...
Eu? Constante inconstante.
Desejo; tocar;

Frívola ansiedade,
Mata-me à maldades.
- este triste sangrar -

Ora! Peço piedade.
Chamo-te de saudade,
Que abraça-me ao deitar.

 

   

by Calado

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um ciclo lunar

30 luzes...
30 trevas...
E eu não ansiaria
Por pouco mais,
Odiaria menos que estas.

Vários sóis...
4 Luas...
5 ciclos nos separam.
Luz, trevas, conto o tempo!
Hoje, só, a olhar a rua.

A sós,
Em companhia...
Felicidade, tristeza, dor... prazer:
Vivo, vejo, viro ao avesso!
Tranquilidade abraça a euforia.

Conta perdida,
Tudo é nosso!
O tempo em si não satisfaria,
Esses vácuo que hoje tenho...
Neste peito que hoje é vosso.

  
by Calado

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Verão ardente

Talvez jamais esqueça,
Deste sol na cabeça,
Deste verão ardente.

Realmente, eu não deva
Perder a vista desta
Jóia, mui resplandecente.

Então, caro amigo,
Com tu hoje divido,
Motivo sorridente...

Agridoce e feliz.
Talvez, de dura cerviz.
Caminho lentamente.

Deixo então, o verão passado.
Pelo novo já esperado,
Com seus sorrisos reluzentes.

Dê-me Deus esquecimento,
Do outrora, de meu tormento,
E sorria neste meu presente.

Que de tristezas já provado,
Tenho no espirito fados
Que agora são divididos.


by Calado

domingo, 12 de janeiro de 2014

Dias e Noites


NOITE - Sem Sono

Silêncio... Vejo-a dormir.
No esquife da noite,
Seus sonhos são tão doces;
Que ela, dormindo, sorri.

Silêncio! Não perturbe.
                                                                      Doce ébano, longe,
                                                                      Dos meus braços no hoje,
                                                                      E talvez, no por vir.

                                                                      Vejo-a dormir... Silêncio!
                                                                      Que a noite se livre
                                                                      De perturbar seus sonhos.

                                                                     Se teus olhos me vissem
                                                                     - solitário momento -
                                                                     Despertarias do sono? 

***

DIA - Algo quer-te, anelo

Viaja um carta,
Veloz, pelos ares.
E em mãos amadas,
Quão feliz deixaste.

Te leu a amada?
Sorrisos geraste?
Fico a desejá-la.
Comigo sonhas-te?


Alguém quer a Ti?                                                                                                             
Melhor esquecer,                                                                                                             
         Logo a ouvirei...                                                                                                             

Vejo Tu sorrir!                                                                                                                 
Venho a esquecer,                                                                                                                 
O que a Ti enviei...                                                                                                                 







by Calado

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Traços cruzados



E no início era sem forma,
Tão sem forma. Porém, não vazio.

Um choque, encontro, acaso?
Um silêncio então os toma.

Caso o acaso logo os viu.
Decidiu fundir estes laços.

E pouco à pouco se forma,
Algo que então, nunca se viu:

Linhas, mãos, laços e abraços.
E o que não era, se torna...

Pulsa o coração frágil, sutil,
Tecido de Eros enlaça-os.

São formados sorrisos, e assim,
Os olhares trocam-se no ar,

Andorinhas a voar no verão,
Vestindo um belo carmesim.

E sempre em luta a travar,
Desejam-se, apaixonarão?

E enfim, inicio do verão,
Será que eles, o verão?

Por fim, eles então viram!
O enigma se solucionar...

Em meio à toda agitação,
De bombas, fogos que explodiam

Um pedido madrugada a ecoar,
Por sorrisos que um dia viriam.




by Calado

domingo, 3 de novembro de 2013

O enigma

Tu tem me devorado,
À medida que tento
E gasto o meu tempo.
No intento decifrar,
Tenho eu fracassado.

E nestes poucos passos,
Guardo todo o lamento...
Suporto o sofrimento...
De tão somente sonhar,
Com saber de abraço.

Neste mau embaraço,
Levo velas à vento
Barco de sentimento,
Camoniano o mar...
Velejo aos teus braços.

by Calado

sábado, 19 de outubro de 2013

Cinco sonetos para ela



À DISTÂNCIA

Um céu estrangeiro,
Estranhos companheiros.
Noite de sono inteiro
Do cansaço rotineiro;

No sono que não veio.
Ouço um som meigo.
Teu carinho presenteiro,
À procurar-me o dia inteiro.

Bobo, perdi o verso,
E agora faço-me inverso...
Do que era meu universo.

Tanto carinho terno,
Eros, por ti espero...
Por entre as ondas de rádio.



I ª  NOITE


Como a noite e sua escuridão,
Nesta sua oculta profundeza,
Encontro-me na mesma vereda,
Tristonho e escuro coração.

De estrelas à uma triste solidão,
E que sem nenhuma sutileza...
Trouxe-me alguma incerteza,
Certeza que havia no coração.

E um abraço então se firma,
Noite à dentro, ao pé do ouvido,
De um alguém que não pode ser ver.

Ansioso, ânimo se anima...
E se alegra ao estar contigo,
Mesmo sem tocar, mesmo sem te ter.



ÃUGUSTIANO-SE EM CAMÕES

Recosto meu triste encéfalo
Nos ângulos de alvenaria.
E por entre os pulmões, asfixia,
Noturno desalento gélido.

Meus orbes, piscam agora sérios,
Nas palavras por mim proferidas.
Trágico, naufraga mais uma vida;
Vai... De encontro ao cemitério.

Quer nos lábios, que seja em papel;
Esqueço do mal deste vil dragão,
Venenoso membro inimigo.

Fadado estou, por fortuna cruel;
Resta-me, apenas desolação...
Neste meu cubículo amigo.



FUNERAL DO CUPIDO

Como Pesa o peito,
Com o cair das lágrimas.
Que como chamas, brasas,
Queimam este sujeito.

Sujeito ao efeito...
De sua queda estrelada,
Desaponta, estraga,
Cupido presenteiro.

Ferida férrea fatal,
De espada abanhada.
Hoje, corto a mim mesmo.

Fúnebre e frio funeral,
Noite que... acordada,
Viu morrer anjo meigo.



LEÃO MENOR

Mata-me a dor,
Esta distância.
Angústia, ânsia,
Mata-me, o amor.

Mata-me, horror
Como vingança,
Passou bonança...
Adeus, só dor.

Desejo, fado
De ser amigo,
Oh! Esperança.

Este vil mal grado,
Estar contigo,
Fica lembrança.




by Calado

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Eu Werther



Sem forma...
À tona torna,
Vem nos tragar.

E agora?
De vez aflora,
Vem alegrar.

Mas outrora,
Da janela afora,
Um eu iria pular.

Senhora,
Te casas agora?
Na cela irei ficar.

Sem forma...
Só dor lá fora.
E assim deverá ficar.

Tu choras?
Uma arma agora,
O gatilho não pude puxar.

Morro agora,
Tornando à vida lá fora.
Tragédia de amar.





by Calado

domingo, 21 de julho de 2013

Amor em flor



Ah! Se à vejo.
Oh! Torrentes fortíssimas!
Trágico e rápido pulsar.
Encho-me então de desejo,
Por tão inocente e linda,
A qual vejo cintilar.
Oh! Estrela do infinito.

Bendito desejo.
Que vem-me como primícia,
Não podia lhe esperar.
E inocente me vejo,
No ansiar de incessante carícia,
No perfume que dela sinto exalar.
Oh! Trágico céu infinito.

Pois... Se a vejo!
O infiel coração palpita.
E do corpo deseja saltar.
Nem se quer a conheço...
A inocente e pequenina,
De finos modos e andar.
Ah! Duros fados malditos.

Oh! Não mereço...
Este suspiro que tramita,
Neste peito a desejar.
E sofro de paixão e desejo,
O corte da lâmina da agonia,
No vejo, a vida me deixar.
Oh! Espaço-tempo infinito.








by Calado

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ruas do passado




Ruas escuras e silenciosas,
Hoje tão vazias quanto antes.
Foram palco de buscas ansiosas.
Um desesperado amar,
Em cores e dores vibrantes.

Visitas esperadas e carinhosas.
Por muitas vezes irritantes.
E noites de lua esplendorosa,
Desertas, não podiam separar
O desejo infinito dos amantes.

Nem as trevas assombrosas,
Ou criaturas errantes.
Sobrepujavam a foça espantosa
E seu conflito estelar,
De sentimentos inconstantes.

Mas agora, só dores ociosas.
Passos, somente exitantes.
Um ódio e uma dor furiosa.
Um triste e cruel apartar,
Lembro-me neste instante.

Oh! Saudade, cosia preciosa:
Beijos, abraços aconchegantes.
Tua silhueta formosa...
O eterno calor de amar,
Agora, tudo isso está distante.

Oh! Tu... fortuna maldosa...
Lembra-me do vivido antes.
Uma imagem calorosa,
De um lindo e calmo abraçar
Um amor que agora é ontem.

E Tu, figura formosa.
Já não lembro de teus lances.
Da voz forte, doce e sonora.
Deu teu corpo frágil a me acalentar,
E de como tudo era emocionante.

Tu ficaste, e eu fui embora.
Orgulho, dardo de veneno infame!
Através de feridas, pôs fim a história...
Que um dia quisemos começar.
Terminamos estranhos e distantes.

E tu, lembras agora?
Ou sou memória ultrajante?
Sou passado? Sou escória?
Queira um dia confessar:
Fomo intensos amantes.





by Calado

sábado, 29 de junho de 2013

À deriva



Entrego-me outra vez, silenciosamente;
A uma tão doce e triste solidão.
Saudade, abismo, imensidão...
Sentimentos que me invadem tranquilamente.

Quase que sonolentamente,
Vejo o abismo, a profunda escuridão
Desses medos vem e cedo não vão.
Meu amor parte tão docemente.

Um barco a vela à deriva.
Mais uma alma achada e perdida,
Neste mundo a caminhar.

Um dor, uma sangrenta ferida,
Um adeus para uma desconhecida,
Neste mundo sem amar.





by Calado

terça-feira, 18 de junho de 2013

Areia



Este sentimento está escorrendo...
Por entre meus dedos como areia.
E eu, como que inseto em teia,
Apenas o vejo desaparecendo.

Tua face sumir estou vendo,
Das memórias em minha cabeça.
Agarro-te antes que esqueça,
Mas no fim, acabo perdendo.

Então, nesta areia vou afundando,
Abraço áspero do deserto.
Consolo de um falso pesar,

E enquanto a ultima canção está tocando,
Reservo-me da lâmina o ferro,
De nunca poder te amar.









by Calado