Citações

- William Shakespeare
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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Presente ausente


Memória da memória do que fui,
Sou uma sombra, luz a se dissipar
No vácuo invisível deste sofrer.

O que antes tão presente, agora rui,
Desgraçadissimo, à lamentar
O advento em questão: desaparecer...

E procuro o escape do que já fui.
Desta sombra querida, aqui, a chorar...
Lâminas de sal fazem-me sofrer.

Queria eu, ter de verne o tempo que flui
Para buscar aquela que quero amar.
Agora submerso,  só me esconder.

 
por Francisco Calado

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CIUMES



Estes não me faltam,
Mais que as asas da noite
Que inúmeras e incompletas,
Alçar voo, Posso com estas.

De vergonha não me encho.
Ao contrário, só sofro,
Diferente dos mancos:
Tropeçar, escarnecer.

E encontro motivos mil,
Porém os meus, sempre tão vazios,
Náufragos da querida...
Perdidos, sempre à vagar.

E sofro, morro, choro.
Sem entendimento algum
Em um distante por vir.
Afogo-me em lágrimas.

E se choro... Querida!
Sódio que verti um dia,
Pela praga de outrora...
Hoje deixo aos teus pés.

Meu orgulho, tão ferido...
Meu coração partido...
Minha paz, esquecida...
Meu que é teu, perdi a linha.




by Calado

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Na estrada de ferro

Trago tristezas trovejantes...
Nesta férrea caminhada.
Trago... trago...
E a cada ponto,
Uma amada, uma lágrima.
Trago malas,
Roupas e...
Pouca rima.
E a forma está restrita,
à deformidade do trilhos.
Cana, milho, trigo,
Quiuí...
Coisas que não vejo.
Meus aposentos,
Sou eu mesmo,
Na introspecta obscuridade,
Trago tristes trovões,
Também trago paixões.
E cheio,
dos ares desta viagem...
Anseio dormir!
Trilhos, tristes, trovões,
Quiuí!
Ah! Esse apito...

   
   

by Calado

sexta-feira, 25 de abril de 2014

À dois

  
Nova casa, fiz morada.
Mui linda, até bagunçada.

Pelo que agora és.
Usarei a estes pés.

Para ver a Ti,
E perder a mim.

E mesmo que desajeitado,
Não veja de malgrado.

Dizia: "todos por um!".
À dois... em um.

  

by Calado

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Um ciclo lunar

30 luzes...
30 trevas...
E eu não ansiaria
Por pouco mais,
Odiaria menos que estas.

Vários sóis...
4 Luas...
5 ciclos nos separam.
Luz, trevas, conto o tempo!
Hoje, só, a olhar a rua.

A sós,
Em companhia...
Felicidade, tristeza, dor... prazer:
Vivo, vejo, viro ao avesso!
Tranquilidade abraça a euforia.

Conta perdida,
Tudo é nosso!
O tempo em si não satisfaria,
Esses vácuo que hoje tenho...
Neste peito que hoje é vosso.

  
by Calado

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Lorde Sombrio

Talvez, tudo eu venha à odiar,
E perca-me, neste tornado: paixão.
Afundando nesta escuridão...
Sinto toda a luz querer me deixar.

Envolvidamente no triste frio,
Que mata, destrói o cardiaco pulsar.
Vejo este vil vírus vasculhar
Tudo que em mim é escuro e vazio.

Debaixo da sombra do tecido,
Recebo a pena, que merecido,
Devo eu hoje, com alma, pagar.

Deleito-me então no castigo,
E nas trevas que vem me seguindo.
Caminho... E não há como voltar.

by Calado

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Verão ardente

Talvez jamais esqueça,
Deste sol na cabeça,
Deste verão ardente.

Realmente, eu não deva
Perder a vista desta
Jóia, mui resplandecente.

Então, caro amigo,
Com tu hoje divido,
Motivo sorridente...

Agridoce e feliz.
Talvez, de dura cerviz.
Caminho lentamente.

Deixo então, o verão passado.
Pelo novo já esperado,
Com seus sorrisos reluzentes.

Dê-me Deus esquecimento,
Do outrora, de meu tormento,
E sorria neste meu presente.

Que de tristezas já provado,
Tenho no espirito fados
Que agora são divididos.


by Calado

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

LÁPIS E PAPEL


Lá vai tu e me dizes mais um adeus.
Fico eu cá. Em longo eco de um eu te amo.
E.enquanto eu, grito. agonizo e chamo,
Só vejo lágrimas nos braços meus.

Onde por mais que queira eu, me negar
Que a dor do doce sofrer me acompanhe,

E ainda que eu vigie, durma, acorde ou sonhe,
Tua bela silhueta ei de me assombrar.

E eu aqui... No vácuo espaço-tempo vago,
De estrela à estrela e em supernova caio,
Nas tristezas de minha lua no céu.

Lá, Tu deixas vago o que era meu espaço.
Logo após de Ti, sou eu que agora saio.
Resta-me somente lápis... Papel.


    
by Calado

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Diário de um diário

Vejo as luzes das praças.
O meu olhar vê e passa,
E minha alma à vagar.

E na correria das massas:
Outra chama se apaga.
Outro corpo para velar.

E o ponteiro já não passa;
Hora! Menina mimada...
Não me deixa o descansar

Do vivo dia da espada
A manter a mão calejada,
Fica o corpo à chorar.

Vejo luzes apressadas,
Beijo rápido amada!
E... Uma criança à chorar.

Nem a noite me salva,
Sou mente engaiolada.
Rotina... Alma à divagar.

by Calado

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Amizade


Abençoa-me,
Assola-me.

Uma praga,
Uma graça.

Me esquivo,
E repudio.

Circunda-me,
À caçar-me:

Penosíssimo
Magnetismo.

Me afasta
D'amada.

Vejo-te
Perco-te.

Uma praga,
Tão necessária...

É fio de espada!

E agora,
Por hora...

Ânimo partido:
Amigos? Amigos!
  
by Calado

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Polaridade

De norte à sul, prefiro a morte.
Chave para baixo paralisa
Esta tristeza que merecida,
Insiste em matar-me à noite.

Chave à cima... do sul ao norte,
Algum raio de sol me anima.
Chave à baixo, mesmo de dia?
Melancolia doce, Ah! Que sorte...

Vê! Passou hora de belo sol.
Nublado é este meu triste céu;
Não há onde se possa repousar.

E no fio do pendulo... Só cerol.
Nas facas-badaladas, puro fel.
Desvio de teu esmeralda olhar.

by Calado

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Metafísica noturna

No neurônico castelo, vejo...
Fortes garras de outra vontade,
À levarem gênero oposto.
E como que por pura maldade,
Desperto neste penar, desejo.

Nos pavimentos meus, aqui, vejo...
Ruas, homoeletricidade
A conduzir meu medo tolo;
Universal parelidade,
Toque de lábios, febre, desejo.

Epiderme envolvida vejo
Por laços de ossos e músculos,
E paira um pensamento ôco...
O ecoar de eco obscuro,
Volúpia vulcânica, desejo.

Mas no clarear das janelas, vejo,
Metafísica realidade.
Ilusão noturna, algum choro...
Entrar em choque com a verdade:
Funeral triste do desejo.

by Calado

domingo, 3 de novembro de 2013

O enigma

Tu tem me devorado,
À medida que tento
E gasto o meu tempo.
No intento decifrar,
Tenho eu fracassado.

E nestes poucos passos,
Guardo todo o lamento...
Suporto o sofrimento...
De tão somente sonhar,
Com saber de abraço.

Neste mau embaraço,
Levo velas à vento
Barco de sentimento,
Camoniano o mar...
Velejo aos teus braços.

by Calado

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Caminho de fibra óptica



Me é oculta, a epiderme
Desta intangível e amada.
Por excelência, mui intocada
Que as demais criadas por mim,
Que a mente hoje não dicerne.

Marilia, já não mais se percebe.
Dina, diga "mene". Oh! amada.
Nem ao menos reservo-me bala,
Para dar-me certo e digno fim.
Tu me alegras, tu me entriteces.

O mal desgostosissímo cresce,
No repúdio de amar, amada.
Mas, jamais dedicarei cartas,
Ou as liras que partirem de mim...
À um rosto, que não se conhece.



by Calado

sábado, 19 de outubro de 2013

Cinco sonetos para ela



À DISTÂNCIA

Um céu estrangeiro,
Estranhos companheiros.
Noite de sono inteiro
Do cansaço rotineiro;

No sono que não veio.
Ouço um som meigo.
Teu carinho presenteiro,
À procurar-me o dia inteiro.

Bobo, perdi o verso,
E agora faço-me inverso...
Do que era meu universo.

Tanto carinho terno,
Eros, por ti espero...
Por entre as ondas de rádio.



I ª  NOITE


Como a noite e sua escuridão,
Nesta sua oculta profundeza,
Encontro-me na mesma vereda,
Tristonho e escuro coração.

De estrelas à uma triste solidão,
E que sem nenhuma sutileza...
Trouxe-me alguma incerteza,
Certeza que havia no coração.

E um abraço então se firma,
Noite à dentro, ao pé do ouvido,
De um alguém que não pode ser ver.

Ansioso, ânimo se anima...
E se alegra ao estar contigo,
Mesmo sem tocar, mesmo sem te ter.



ÃUGUSTIANO-SE EM CAMÕES

Recosto meu triste encéfalo
Nos ângulos de alvenaria.
E por entre os pulmões, asfixia,
Noturno desalento gélido.

Meus orbes, piscam agora sérios,
Nas palavras por mim proferidas.
Trágico, naufraga mais uma vida;
Vai... De encontro ao cemitério.

Quer nos lábios, que seja em papel;
Esqueço do mal deste vil dragão,
Venenoso membro inimigo.

Fadado estou, por fortuna cruel;
Resta-me, apenas desolação...
Neste meu cubículo amigo.



FUNERAL DO CUPIDO

Como Pesa o peito,
Com o cair das lágrimas.
Que como chamas, brasas,
Queimam este sujeito.

Sujeito ao efeito...
De sua queda estrelada,
Desaponta, estraga,
Cupido presenteiro.

Ferida férrea fatal,
De espada abanhada.
Hoje, corto a mim mesmo.

Fúnebre e frio funeral,
Noite que... acordada,
Viu morrer anjo meigo.



LEÃO MENOR

Mata-me a dor,
Esta distância.
Angústia, ânsia,
Mata-me, o amor.

Mata-me, horror
Como vingança,
Passou bonança...
Adeus, só dor.

Desejo, fado
De ser amigo,
Oh! Esperança.

Este vil mal grado,
Estar contigo,
Fica lembrança.




by Calado

sábado, 14 de setembro de 2013

Vampiresco



Eis que estoura fúria abrasadora.
Que vejam o céus todo o tormento!
Uma pena, sentença: Triste contentamento,
Que não sei onde desejas me levar.
Pouco restou do imperador de outrora.

Roma, Alexandria, Constantinopla!
Homens por esse fel sedentos,
Pela espada, vieram ao tormento!
O sono da morte experimentar.
Sangram estes corações agora.

Vejo-te: Óh! fera devastadora!
Tuas garras cravando-se em meu peito.
Sinto o odor de sangue de meu leito,
Onde tão somente posso lamentar...
Maldição de Fortuna traidora!

Mas se lhe quero por agora,
Sofro, vem-me descontentamento.
E rasga-me, do pescoço ao peito,
Voraz à me devorar...
Leva à morre o que chora,

Nasce um Eu de vontade vingadora.
De olhos de tom vermelho sangrento.
E um eu, que cai nesse doce desalento...
Desejando com asas de cera voar;
Que os anjos vendem os olhos por hora.

Tal vergonha me vem consumidora,
Do abstrato que possa residir por dentro
Desta casa onde não há luz nem tempo,
Onde antes poderia o Eu se refugiar.
Deste holocausto, sofro o expurgo agora,

Corda pendurada em madeira oca...
Balança "piano, poco a poco" - lento.
Somente o pulsar perde seu firme tempo.
Aguarda, que eu caminhe até o altar:
O mal será pago com o sangue que jorra...

Desta escarlate estrada simplória,
Que caminha à um sono do mundo isento.
Que esquecerá dessas dores, destes tempos.
Pois agora, não como me libertar,
Deste futuro que um dia foi outrora.




by Calado

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Que se foi



De um lado à outro,
Do lago de amor de meu coração.
Mergulho na dor e na solidão,
De não ter o calor de teu corpo.

Perco o toque e o gosto,
Esqueço bendita e linda oração.
Aos poucos, vai-se também teu rosto.
Já não sinto o calor de tua mão.

Abre-se a fenda em meu peito,
Expondo, a lacuna de tua partida;
Me vem a mente entrelaçar de dedos.

Por angustiar-me a vida,
Mergulho no lado de mim mesmo.
Me sobrando só esta doce ferida.



by Calado

domingo, 21 de julho de 2013

Amor em flor



Ah! Se à vejo.
Oh! Torrentes fortíssimas!
Trágico e rápido pulsar.
Encho-me então de desejo,
Por tão inocente e linda,
A qual vejo cintilar.
Oh! Estrela do infinito.

Bendito desejo.
Que vem-me como primícia,
Não podia lhe esperar.
E inocente me vejo,
No ansiar de incessante carícia,
No perfume que dela sinto exalar.
Oh! Trágico céu infinito.

Pois... Se a vejo!
O infiel coração palpita.
E do corpo deseja saltar.
Nem se quer a conheço...
A inocente e pequenina,
De finos modos e andar.
Ah! Duros fados malditos.

Oh! Não mereço...
Este suspiro que tramita,
Neste peito a desejar.
E sofro de paixão e desejo,
O corte da lâmina da agonia,
No vejo, a vida me deixar.
Oh! Espaço-tempo infinito.








by Calado

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ruas do passado




Ruas escuras e silenciosas,
Hoje tão vazias quanto antes.
Foram palco de buscas ansiosas.
Um desesperado amar,
Em cores e dores vibrantes.

Visitas esperadas e carinhosas.
Por muitas vezes irritantes.
E noites de lua esplendorosa,
Desertas, não podiam separar
O desejo infinito dos amantes.

Nem as trevas assombrosas,
Ou criaturas errantes.
Sobrepujavam a foça espantosa
E seu conflito estelar,
De sentimentos inconstantes.

Mas agora, só dores ociosas.
Passos, somente exitantes.
Um ódio e uma dor furiosa.
Um triste e cruel apartar,
Lembro-me neste instante.

Oh! Saudade, cosia preciosa:
Beijos, abraços aconchegantes.
Tua silhueta formosa...
O eterno calor de amar,
Agora, tudo isso está distante.

Oh! Tu... fortuna maldosa...
Lembra-me do vivido antes.
Uma imagem calorosa,
De um lindo e calmo abraçar
Um amor que agora é ontem.

E Tu, figura formosa.
Já não lembro de teus lances.
Da voz forte, doce e sonora.
Deu teu corpo frágil a me acalentar,
E de como tudo era emocionante.

Tu ficaste, e eu fui embora.
Orgulho, dardo de veneno infame!
Através de feridas, pôs fim a história...
Que um dia quisemos começar.
Terminamos estranhos e distantes.

E tu, lembras agora?
Ou sou memória ultrajante?
Sou passado? Sou escória?
Queira um dia confessar:
Fomo intensos amantes.





by Calado

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Era uma vez...



Esquecidos, desejos perdidos.
De abraços e beijos proferidos
Como palavras entre olhares amigos,
Hoje nada, tão somente nada,
Tempo esquecido.

Eram queridos, corpos aquecidos
Entre carinhos e os toques preferidos
De bilhetes e poema já escritos,
Hoje nada, tão somente nada,
Um papel esquecido.

Por braços envolvidos
Nos pôr-de-sóis a dois já vistos
E o perfume na roupa imprimido,
Hoje nada, tão somente nada,
Um aroma esquecido.

No tempo e espaço perdidos
Vagando à vista longínquos
Das mãos por outrora unidos
Hoje nada, tão somente nada,
Um carinho esquecido.

E agora que vejo sozinho
O espectro do que ficou vazio
Do amor que antes munido,
Hoje nada, tão somente nada,
Um ser esquecido.

Resta apenas o caminho
Os lugares e luares bonitos
Que sorrindo vimos 
Hoje nada, tão somente... Nada,
Um amor esquecido.















by Calado