Citações

- William Shakespeare
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domingo, 4 de janeiro de 2015

Pó de estrela




Busco-as toda noite,
E as encontro sempre
As mesmas contentes.
Milhares à brilhar,
Brilho que um dia foste.

Ofuscando o torpe,
Com luz estridente.
De tantas frias noites
Insônicamente...
As vejo cintilar.

E no escuro peito,
Brilha meu coração...
Brilha esta fria emoção:
Oh! lua, céu perfeito,
Desejo-os alcançar.

Este, é o dia eleito!
Para minha purgação.
Tão Escuro e tão estreito,
De doce solidão...
Via de poeira estelar.

Retratos passados...
Chegando até mim... até nós;
Desatar nossos nós,
Estou tão cansado...
No escuro à descansar.


  

por Francisco Calado

sábado, 3 de janeiro de 2015

Cortinas



Abrem-se as cortinas negras em flor...
Soa então e luz da lua, melodias novas.
E o brilho negro do olhar, à fora,
Esvai-se, com as correntes desta dor.

Tudo está escuro e claro, agora,
Do jeito que foi, e sempre andou.
Assim como a lua brilha lá fora,
Como a luz de um astro, que já passou.

Vejo os verões vindouros voltarem,
Numa negra nuvem naufragarem.
Distante de um destes dias desertos.

Fechada está a cortina "passado".
Perdido está todo o espetáculo.
Sigo,trilho, e em nada estou certo.

  
por Francisco Calado

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Rente ao chão



No principio era tudo sem forma...
E vazio!
Depois foi árvore, fruto, semente,
Uma lascívia demente;
Um ventre arrastado ao chão.

Depois madeira, couro e extinto,
Aquecidos ao fogo.
E o infinito no olhar à noite.

É o que foi pó, fez-se primata.
Talvez uma mentalidade ingrata.

Agora... Só ferro, concreto e vidro.

Do introspecto advento saindo,
Deixado que o ritmo vá possuir...
Tua alma... Minha alma...
Baco, balbúrdia, bares, bacanal...

E fora da jaula, mais um animal
Em um triste fim de semana.

E parado de frete ao rio...
Vê a mudança que as águas sofreram,
Refletir o efeito do tempo em si mesmo.

Era árvore...
Um guerreiro...
Agora é onda.
E rasa...


Desejo ser um poço sem fim.



por Francisco Calado

sábado, 15 de novembro de 2014

100 sentidos



Eu não vejo sentido.
Somente a falta deste!
E vejo, que muitos 
não tem sentido.
Não...
Sim... Sentido,
Mas não tem sentido.
Então...
Não tem sentido.
E não tem sentido,
Que não tem sentido.
Sim...
Vejo agora,
Que não tem sentido,
pois sem sentido,
tenho sentido...
que falta sentido.
Vem faltando sentido
ao sentido.

  
por Francisco Calado

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Desejo e Necessidade



Quão cheio de luzes eu era.
Tirado me foi tudo...
Até a ultima quimera,
Levou de mim o mundo.

Como se em terra santa,
No cume de meu sinai...
Tentar-me veio satanás,
E ao inferno a mim lança.

Perco outro ciclo no vão.
Vejo partir Beatriz.
Estrada do não? Não!

Euridice, coube a ti,
O desfecho sem perdão.
Pedra, tropeçar, cair.


 
por Francisco Calado

domingo, 9 de novembro de 2014

Queda na falésia do contato




Decrepitamento acometido
Por uma erosão geo-epidérmica,
Que purula vulcanicamente
Por estas tubulações sanguíneas.

Vi, vivo e vestindo a tudo isto,
Mais uma quimera sintética
Que mata e sufoca minha mente,
Que é apenas um número da lista.

E pelos cabos óticos eu vou!
Sem a celulose pálida gentil.
Perco-me em vocais pregas à falar.

E pedra à pedra à me despedaçar...
Outra queda de um propósito anil.
Ignorante fico, sábio vou.



  
por Francisco Calado

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Doença nebulosa

            
Agora, que grafite,
Este frio céu insiste
Na dissecação hábil,
De pobre psiquê frágil.

Oriunda de uma noite,
Onde a vigília foi o açoite
Do morcego presente no Eu,
Perco o foco: o meu e o teu.

Não desejo a redondilha.
Não desejo mais o verso.
Me abstenho do rimar!

by Calado


quarta-feira, 11 de junho de 2014

Na estrada de ferro

Trago tristezas trovejantes...
Nesta férrea caminhada.
Trago... trago...
E a cada ponto,
Uma amada, uma lágrima.
Trago malas,
Roupas e...
Pouca rima.
E a forma está restrita,
à deformidade do trilhos.
Cana, milho, trigo,
Quiuí...
Coisas que não vejo.
Meus aposentos,
Sou eu mesmo,
Na introspecta obscuridade,
Trago tristes trovões,
Também trago paixões.
E cheio,
dos ares desta viagem...
Anseio dormir!
Trilhos, tristes, trovões,
Quiuí!
Ah! Esse apito...

   
   

by Calado

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Por trás das lentes

Estas lentes que já não brilham mais,
Veem tudo! E olhos piscam por trás,
No repúdio eterno ao ser finito.

À gemer em um parto,  que voraz,
Devora o ser que perde a paz...
Na concepção absurda deste filho.

E já arranhadas, não prestam mais?
Como? Pois viu o que a misera vos traz.
Alma tingida - sangue vertido.

Que por excelência... não é vosso!
Vossos, apenas são os destroços,
E a miopia, que à minha vista traz.


 
by Calado

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Caminho do encontro

As vezes eu fico assim...
Pennsando.
Pensando que as vezes,
Eu fico assim.
Assim pensando,
Eu fico, as vezes.
As vezes eu fico.
As vezes pensando
Pensando... pensando...
Nas vezes que fico,
As vezes eu vou.
Pensando...
Eu vou!
As vezes eu vou,
E pensando eu fico.
E pensando eu vou.
Eu fico...
Eu vou...
E nunca me sai,
do pensamento...
Que nas vezes que vou,
Nela fico... Pensando.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Diário de um diário

Vejo as luzes das praças.
O meu olhar vê e passa,
E minha alma à vagar.

E na correria das massas:
Outra chama se apaga.
Outro corpo para velar.

E o ponteiro já não passa;
Hora! Menina mimada...
Não me deixa o descansar

Do vivo dia da espada
A manter a mão calejada,
Fica o corpo à chorar.

Vejo luzes apressadas,
Beijo rápido amada!
E... Uma criança à chorar.

Nem a noite me salva,
Sou mente engaiolada.
Rotina... Alma à divagar.

by Calado

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Rotatória

 














Aspiro sangramento,
Transbordo, vazio.
Acordo no frio...
Deste triste lamento.

Encho-me, faço novo.
Todo passado,
Mesmo pesado...
Me faço mártir, morro.

Torno à viver
Novo outrora.
Meu eterno retorno.

A minha calda mordo;
Velho agora,
Torno à morrer.




by Calado

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Irrefreável dragão



No metal cilíndrico hábito
Sufocado, por culpa, pecado.
De vosso vão barquinho, eu salto,
No zero absoluto, abismo.

Gaviões de aço, soar de metal, sino
Que pelo deus da festa tocado,
Traz-me à boca um  enorme vácuo,
Melhor é o monte, bom é o abismo.

Já não serpenteia o dragão em meu céu.
Nem tão pouco abrem grades de ossos.
Germina, a semente do saber.

Com o tapa, arrancado o véu
Foi de meus  dois incapazes olhos,
Inflama, o irrefreável do ser.


by Calado

sábado, 14 de setembro de 2013

Loucura


Solenemente, ergueste do abismo,
Qual anjo caído ou virtude esquecida.
Mudastes de nome, fez-se esquecida.
Adornada agora,  és aurora febril.
Sua capa: lasciva. Disfarce doentio.

Tentastes fazer-me caminhar contigo,
Iludido, quase entreguei-lhe mente e vida.
Agora, de mim, és tão somente inimiga.
Provarás de minha lâmina o trágico fio.
Em minha sábia armadura, não corro risco.

Caio de joelhos! pranto, coração contrito.
Vejo a desgraça de meus irmãos e amigos,
No negro véu que tu lhes impõe à vista.
És maravilha - E praga sutil.
Por tudo e todos, encontro-me entristecido.

Demônio nosso! Temível ser maligno.
Destinado a destruir a consciência da vida.
Dos leigos e brutais és mui querida.
Vejo o teu homem: Grosseiro e débil.
Vossas damas são seres nocivos.

Louca! Tens o homem por vencido.
Ignorante, repulsa à sabedoria.
Impura, violenta, és má companhia.
Trouxeste-nos a escuridão e o frio,
E levaste o conhecer do infinito.




by Calado