Citações

- William Shakespeare

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Presente ausente


Memória da memória do que fui,
Sou uma sombra, luz a se dissipar
No vácuo invisível deste sofrer.

O que antes tão presente, agora rui,
Desgraçadissimo, à lamentar
O advento em questão: desaparecer...

E procuro o escape do que já fui.
Desta sombra querida, aqui, a chorar...
Lâminas de sal fazem-me sofrer.

Queria eu, ter de verne o tempo que flui
Para buscar aquela que quero amar.
Agora submerso,  só me esconder.

 
por Francisco Calado

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

CIUMES



Estes não me faltam,
Mais que as asas da noite
Que inúmeras e incompletas,
Alçar voo, Posso com estas.

De vergonha não me encho.
Ao contrário, só sofro,
Diferente dos mancos:
Tropeçar, escarnecer.

E encontro motivos mil,
Porém os meus, sempre tão vazios,
Náufragos da querida...
Perdidos, sempre à vagar.

E sofro, morro, choro.
Sem entendimento algum
Em um distante por vir.
Afogo-me em lágrimas.

E se choro... Querida!
Sódio que verti um dia,
Pela praga de outrora...
Hoje deixo aos teus pés.

Meu orgulho, tão ferido...
Meu coração partido...
Minha paz, esquecida...
Meu que é teu, perdi a linha.




by Calado

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Suicídio de um morto


Sirvam-me o veneno,
Chegada é a hora.
Cansado estou de funerais,
Outra vez, outra a mais,
Tantas vezes morri...
E permanece o cadáver,
Anda, come, fala,
Porém a vida, jaz na terra,
Das desventuras sofridas.
Tragam-me a taça.
Depressa!
Não há mais tempo
Para outra morte aparente.
Preciso que caixão
Me ampare deste frio,
Que sol nenhum esquenta.
De uma salvação noturna,
E... quando o sepulcro abrirem...
Verão pouca coisa,
Sobretudo...
Um ser sem coração,
E um cálice de veneno.
E que ao pé da tumba,
Uma mandrágora aflore,
Com os gritos das vidas,
Que em mim,
Pude ver morrendo.

   

by Calado