Citações

- William Shakespeare

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Vida Vela Mar




Por certas distâncias atraído,
Hoje pago o preço,
O castigo, que tão somente mereço
Condeno-me a ser perseguido.

Por sentimentos infiéis, traído.
Somente a noite vê que padeço.
E a sábio ensinamento, agradeço,
Pois no sofrimento tenho aprendido.

Com a vela já rasgada,
Vida, velha, voraz enfadada;
Rasgo-me, retorno a remar.

Pobre, podre esta jangada,
Vida, vil, voraz malvada,
Lamento, leva-me de novo ao mar.










by Calado

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Era uma vez...



Esquecidos, desejos perdidos.
De abraços e beijos proferidos
Como palavras entre olhares amigos,
Hoje nada, tão somente nada,
Tempo esquecido.

Eram queridos, corpos aquecidos
Entre carinhos e os toques preferidos
De bilhetes e poema já escritos,
Hoje nada, tão somente nada,
Um papel esquecido.

Por braços envolvidos
Nos pôr-de-sóis a dois já vistos
E o perfume na roupa imprimido,
Hoje nada, tão somente nada,
Um aroma esquecido.

No tempo e espaço perdidos
Vagando à vista longínquos
Das mãos por outrora unidos
Hoje nada, tão somente nada,
Um carinho esquecido.

E agora que vejo sozinho
O espectro do que ficou vazio
Do amor que antes munido,
Hoje nada, tão somente nada,
Um ser esquecido.

Resta apenas o caminho
Os lugares e luares bonitos
Que sorrindo vimos 
Hoje nada, tão somente... Nada,
Um amor esquecido.















by Calado

Exorcista



De meus próprios demônios á noite,
Sou a praga expurgadora;
E de antes até agora,
Por estes males perseguido,
Os expulso e os persigo.
Retrato falado, da noite que foi-se.

Sinto na pele as chicotadas, açoites,
Desta vontade devoradora.
Dama da noite, loucura.
Pelos desejos do mundo invadido,
Os expulso, os persigo...
Olhos fechados e ainda não durmo à noite.

Vejo-os tremer diante da foice!
Pois estes já não temem a ceifadora.
E a lâmina nada lhes é agora,
Pois que mortos entre os vivos,
Eu os expulso, os persigo...
Fecho os olhos, e peço para que se fossem.

E coloco diante de mim a noite.
E não vejo se quer alguma escolha,
Se não a de matar, morrer à toa.
Já nem sei se isto consigo,
Tento expulsá-los, os persigo!
Reviro-me à cama, se foste?

Então, caio, nesta rotina agridoce.
Na lâmina, no filho, na folha..
De papel que agora voa,
Não alcanço, pegar não consigo,
Meus demônios expulsar, tenho perdido,
O sentido de quem sou, de quem foste.














by Calado