Citações

- William Shakespeare

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Manto noturno



Tenho medo...
Desse véu de ilusão,
Dessa densa e doce escuridão.
A tocar minha pele como chuva,
Esta noite a me envolver.

Receio,
Que estes bálsamo e caixão,
Deixem meu grito em exclusão.
Como o som de uma triste viúva,
Triste até poder morrer.

Então... Escrevo.
Estes sentimentos em decomposição,
Estas palavras que a mim retornarão...
Como um triste chuva,
Do terrível pode ser.

Esqueço,
Esta tempestade que se chama emoção,
Envolvo-me novamente pela escuridão.
Caminhando sob a luz da lua.
Inexistência de meu viver.

Desprezo...
Sentido pelos que andam à luz da emoção,
 Agora sob o manto frio de minha condição,
Sou alma límpida e pura...
Da líbido, do dia, da luz, da viver.










by Calado

Triste e ácido pranto




Ácido infernal.
Corrosivo e letal.
Fere a alma inocente,
Vil solução ardente...
Cai em queda, quebrar.

Fruto de bem ou mal.
Dos problemas, o mais banal.
Consome e destrói o carente,
Magoa-nos e nem sente...
Logo irá se despedaçar.

Tal como sou poente!
Mostra-me o erro fatal.
Do ferro provo a lâmina quente,
Corte a mostrar-me o eu mortal.

Devasso, deveras inocente!
Traz-me a dor de outro dia real.
De tempestades, de dias quentes...
Vejo o fim - Nossa morte afinal.







by Calado

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Morto





Voo para longe destes portões,
Que prendem-me a sentimentos, grilhões...
De uma existência mísera e vulgar.

Passeando entre lagos de perturbações,
Desafio a morte, sentenças e perdões.
Co'as asas que tenho, já não posso voar.

Corro... Para longe das preocupações.
De beijos, de sonhos, assombrações,
De pobres seres de carne a andar.

Entre inferno e céu, restam as questões.
Entre a vitória e a derrota, os arranhões,
De uma guerra sem fim que está a se travar.

Então... Voo com os depenados tendões.
Tão frágeis e debilitados, com poucas razões...
Para erguer-se ao céu. Brilhar.

E mais uma vez, preso à dores e solidões.
Dividido, entre trevas e clarões,
Meu destino tento alcançar.

Sou sol, lua, e do ano... as estações.
Sou dor, angustia, e a falta de perdões...
De feridas purulentas, que jamais irão cicatrizar.







by Calado