Citações

- William Shakespeare

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Morto





Voo para longe destes portões,
Que prendem-me a sentimentos, grilhões...
De uma existência mísera e vulgar.

Passeando entre lagos de perturbações,
Desafio a morte, sentenças e perdões.
Co'as asas que tenho, já não posso voar.

Corro... Para longe das preocupações.
De beijos, de sonhos, assombrações,
De pobres seres de carne a andar.

Entre inferno e céu, restam as questões.
Entre a vitória e a derrota, os arranhões,
De uma guerra sem fim que está a se travar.

Então... Voo com os depenados tendões.
Tão frágeis e debilitados, com poucas razões...
Para erguer-se ao céu. Brilhar.

E mais uma vez, preso à dores e solidões.
Dividido, entre trevas e clarões,
Meu destino tento alcançar.

Sou sol, lua, e do ano... as estações.
Sou dor, angustia, e a falta de perdões...
De feridas purulentas, que jamais irão cicatrizar.







by Calado

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Relance



De relance, em um lugar lotado.
Onde a euforia e o descontrole dominam,
Tornando o coração acelerado...
Uma breve troca de palavras,
Olhares.
A significarem absolutamente nada.
E tudo...
Tão somente para mim.

De relance, meu coração viu-se encurralado.
Preso a emoções que apenas cresciam,
Deixando atônito, paralisado.
E pensar que não havia nada...
Ainda que me esforçasse,
Para que eu pudesse conquistá-la.
Inútil...
Tão somente para mim.

De relance, vi-me brevemente apaixonado.
Das pessoas que nada percebiam...
Nem mesmo seu olhos teriam notado,
Minha feição levemente pasma.
Impotente, covarde;
Podendo tão somente fitá-la,
E acima de tudo,
Tê-la tão somente para mim.

De relance, apenas mais uma no aglomerado.
Em meio tantas indo e vindo.
Dificilmente pode ter ela notado...
Que por ela meu coração disparava. 
Se eu Ousasse...
Tocar sua mão rosada,
Eu, deste mundo excluso,
Tão somente para mim.

De relance, outro sentimento desperdiçado?
De paixões que já me perseguiram.
Eu, cá fico, outra vez solitário.
Enquanto ela parte, seguindo sua jornada.
Se seu nome perguntasse...
Se lhe cortejasse com ouro e prata...
Mas me calo, a vejo mudo...
Tão somente para mim.









by Calado


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Como o vento




Eu sou... Como o vento.
Passageiro por natureza,
Senhor de toda inconstância.
Em mim, guardo a eterna relevância,
De sempre desaparecer.

Nunca o mesmo com o tempo.
Sem trono, sem realeza,
Provido apenas de esperança.
Empunho amor, ódio, perdão e vingança.
Sou o que não se pode ser.

Paixões esqueci com tempo.
Amores pereceram com certeza.
Sem ao menos restar uma lembrança,
Inconstante, sem dar importância...
Sem um dia permanecer.

Espirito do alento.
Sem fundamento, sem firmeza.
Lugar onde o ser não alcança,
Torno-me tempestade da bonança.
Dúvida de nunca permanecer.

Eu sou... Como o vento.
Sem forma, sem corpo, sem firmeza.
Tão vacilante em minha confiança,
Tão maduro sendo eu criança,
Não sou nada do que venho a ser.








by Calado