Citações

- William Shakespeare

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Premonição



Mais, e mais...
Cada vez mais fundo.
Nesta ínfima tristeza.
Hades, sepultura,
Solitárias profundezas.


Há? Não há mais!
Corte profundo,
Causado por infame fraqueza;
Dolorosa ternura...
Desgraçada, pobreza.


Houve aquele "jamais",
De meus olhos ao mundo.
Doce e infinda em frieza,
Não motivo de desculpa.
Ou importar-se com alheia tristeza.


Breve, nem te lembrarás.
Serei o vento mudo...
Coisa que não perceba.
Tal como... Flor miúda,
Uma pobre alma passageira.


Mas, não mais!
Tento amar o mundo,
Mas o mundo este mundo me rejeita.
Premonição absurda?
Sonhei com isto a noite inteira.
















by Calado

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Pontes quebradas





Tão bela é esta lua de hoje,
Que mesmo de olhos fechados...
Este coração assim, trancado,
Eu a vejo, quase posso tocar.


Este frio tão confortante, doce.
Devo sentir-me desprezado?
Sou mais um não encontrado,
Algo sobre o que não falar.


Esconde-se como se não fosse,
Mas é o mesmo peito trancado.
Não finjo. Ainda que humilhado...
Minh'alma posso auto-afirmar.


Chamas-me agora, hoje.
Meus ouvidos agora fechados,
Não te ouvem. Abafado...
É teu som, que mal posso identificar.


Pois agora te encontras longe.
Bem mais do que no passado.
Não somente neste espaço...
Mas agora na essência a pulsar.


















by Calado

Teatro do Farsante







Noite a fora.
Uivo solitário para uma lua sombria.

Olhos cor e prata,
Assim como as estrelas contempladas.

E uma eterna escuridão.
Medos e desejos, agonia.

Palavras, já não restam.
Apenas este lamento uniforme e constante.

Alma que se despedaça,
Meio à luzes de tanto viventes.

Noite a fora...
Mais uma... De tantas estórias.

Senil e decrépito.
Épicos desertos, batalhas e destruição.

Empunho armas inexistentes,
Guardo virtude e honra verdadeiras.

Vitórias, incontáveis como farsas.
Traspassado pelas lâminas que eu mesmo criei.








by Calado