Citações
"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre |
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Então jaz
Por que ei de receber brutal supremacia?
Eu, que da ignorância carrego o fado,
De existências míseras e curtas.
Pago em alma opróbrio de alheio pecado,
Regozijado somente em minha agonia.
Acaso, de fortuna lhe veio alegria
Tão mais doce que aos homens ao seu lado?
Por que não vejo tal virtude, ocultas?
Só Pandora, a trazer mal grado;
Braços dados à prole: pânico e agonia.
És Eva, que ao trazer o pecado sorria,
Da má graça a que Adão seria fadado.
Teu saber e conhecimento a mim insulta.
É efêmero, inútil, arco não retesado.
Nesta guerra, só a morte lhe aguardaria!
Conhecimento lhe apraz, falta-te sabedoria!
Guerreiro pobre, frágil e desalmado,
Do conflito só lhe serve a tortura.
Apenas vejo um bosque que agora árido,
É escuro, frio, inóspito para amor e a alegria.
by Calado
segunda-feira, 5 de agosto de 2013
Ruminal
Que é esta faca,
Que agora fere-me?
Que faz esquecer-te
Do tempo despendido.
Vais agora me matar?
Que é a palavra,
Se não sopro breve?
E logo perecem...
Ficará o rancor terrível,
Vens agora encarar?
Que tua capa,
É manda de dor celeste.[?
Que sofres e mais queres.
Ainda conselho amigo;
Preferes definhar?
Rumino como vaca!
Tu somente perece.
E isto não merece:
Lealdade de guerreiro antigo.
Já pode teu sepulcro habitar.
Pois sou como roca,
Sou fiar onde se tece,
Seda-sabedoria mais leve.
Agora coração ressentido.
Teu sofrimento pode se afogar.
by Calado
domingo, 4 de agosto de 2013
Inconstância
Chamar-me onda é pouco.
Chama-me mar ou céu...
É apenas risco de pincel.
Multicor, aquarela de tolo.
Chamar-me treva é pouco.
E da luz, infeliz Miguel.
E então deixo eu, os céus
E a terra aos loucos.
Enfim, já não me encontro,
Nem no ultimo cântico,
Que agora entoei.
Existo e me transponho.
Do sofrer ao acalanto,
Onde já não posso viver.
by Calado
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