Citações

- William Shakespeare

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Ruas do passado




Ruas escuras e silenciosas,
Hoje tão vazias quanto antes.
Foram palco de buscas ansiosas.
Um desesperado amar,
Em cores e dores vibrantes.

Visitas esperadas e carinhosas.
Por muitas vezes irritantes.
E noites de lua esplendorosa,
Desertas, não podiam separar
O desejo infinito dos amantes.

Nem as trevas assombrosas,
Ou criaturas errantes.
Sobrepujavam a foça espantosa
E seu conflito estelar,
De sentimentos inconstantes.

Mas agora, só dores ociosas.
Passos, somente exitantes.
Um ódio e uma dor furiosa.
Um triste e cruel apartar,
Lembro-me neste instante.

Oh! Saudade, cosia preciosa:
Beijos, abraços aconchegantes.
Tua silhueta formosa...
O eterno calor de amar,
Agora, tudo isso está distante.

Oh! Tu... fortuna maldosa...
Lembra-me do vivido antes.
Uma imagem calorosa,
De um lindo e calmo abraçar
Um amor que agora é ontem.

E Tu, figura formosa.
Já não lembro de teus lances.
Da voz forte, doce e sonora.
Deu teu corpo frágil a me acalentar,
E de como tudo era emocionante.

Tu ficaste, e eu fui embora.
Orgulho, dardo de veneno infame!
Através de feridas, pôs fim a história...
Que um dia quisemos começar.
Terminamos estranhos e distantes.

E tu, lembras agora?
Ou sou memória ultrajante?
Sou passado? Sou escória?
Queira um dia confessar:
Fomo intensos amantes.





by Calado

Virtude corrompida




Como dói este aguilhão cruel e vil.
Lâmina de raiva, orgulho e ódio. 
Fere mais a quem serviu,
Do que o inimigo e o próximo.

Agora, esqueço a paixão senil,
E da sensatez torno-me próximo.
Pois me sobreveio o opróbrio,
E me trouxe iluminação gentil.

Pois, com orgulho já feri,
E de raiva fui homicida...
Sem nunca me importar.

Mas quando meu sangue verti,
Vi que todo este orgulhar, era...
Coisa imunda: Virtude corrompida.





by Calado 

Para conhecer o contexto do soneto, acesse: http://tragedianoturna.blogspot.com.br/2013/07/nas-highlands-virtude-corrompida.html

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Horas vividas



Suas rédeas... Que as perco,
Na banalidade de meus esforços.
Levando-me à fundos poços;
Memórias: sorrisos, desterros.
Relógio, ponteiro, passar.

Dos infantis sorrisos, esqueço.
E já não lembro-me do ócio.
Perco forças, e o cálcio dos ossos,
Não reconheço a mim mesmo.
Relógio, ponteiro, passar.

Cirandas esquecidas no tempo.
Agora só restam "negócios".
visões que cansam-me os olhos.
E de alegrar-me, esqueço!
Relógio, ponteiro, passar.

Da velhice tenho o que mereço!
Ou apenas um amontoado de troços.
Passar de tempo, frigir de ovos.
E até de morrer me esqueço?
Relógio, em nada podes me perdoa?







by Calado